A CAIXA NEGRA DE MR.JOHN
eu sou ou julgo ser aquilo que imagino ser.Existem infinitas
possibilidades de criar-me.A partir do nada.O paradoxo está no situar-me vivo
num espaço que não existe.O tempo transforma a minha definição,a minha
fisiologia e todos os dados adquiridos.A minha memória,o meu adn,os meus
propósitos,as sensações,os sentidos,tudo se altera em fracções de segundo.Por
exemplo:estou deitado a ler uma ficção.Assimilo o enredo e os personagens.Capto
em instantes-fotogramas das ações,um sorriso,uma lágrima,uma frase e logo me transformo.Dentro da história que estou a
ler.E Todo o movimento se insere numa plástica cinética.Eu sou agora o herói na
história que li.Eu corro atrás dum lobo,eu beijo ardentemente a mulher que se
aproxima,sedutora,inocente,nos meus braços,eu luto com a criatura amaldiçoada
na obra da Mary Shelley,ou sou mordido por um nosferatu.Eu sou quem,afinal de
contas?Uma imagem,um personagem que sai de uma história e entra noutra
história?E se,por um acaso estiver a ler Poe,escutando um funk
electrizante?será que todo o movimento de ser ou estar,pode ser influenciado,eu
poderei inserir pássaros negros,paisagens de carácter romântico,a morte,uma
casa a desvanecer-se com o fim de quem lá habita?impressões de mistério e
medo,fantasmas,corvos,remanescências do passado,ligeia?
Eu adianto isto:POESIA.
Como posso definir-me? Sou tantas coisas.Sou aquilo que escuto,aquilo que
leio e escrevo,aquilo que vejo ou aquilo que sonho,onde me vejo,quando e
porquê.
Sou real e sou inventado.Quando falo através de Marie ou de Yasmin.
Quero apenas acrescentar o seguinte.Há mesmo uma porta que me leva a
lugares mágicos,viagens no tempo e nos
mundos paralelos e isso consigo ,sonhando.
ENCONTREI ISTO NOS MEUS ARQQUIVOS DO WORD E NEM ME LEMBRAVA QUE AINDA LÁ ESTAVAM.
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